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Flâmula ORIGINAL do CIRCUS NORTE AMERICANO da Família Stevanovich e Revista FATOS & FOTOS Edição TRAGÉDIA NO CIRCO Incendiado em 17 de Dezembro de 1961

Flâmula ORIGINAL do CIRCUS NORTE AMERICANO da Família Stevanovich e

Revista FATOS & FOTOS Edição TRAGÉDIA NO CIRCO Incendiado

em 17 de Dezembro de 1961

 

Flâmula em tecido pintado, medindo 34x24 cm

Revista completa com 21 páginas

 

O incêndio ocorreu na matinê de domingo em 17 de dezembro de 1961, na cidade de Niterói, que reunia uma plateia de mais de três mil espectadores. A maioria tentou escapar do fogaréu pela estreita entrada principal. Alguns conseguiram escapar ao seguir Semba, uma elefanta, que abriu um buraco na lona ao tentar se salvar. Não se tem um número preciso de mortos na tragédia: o prefeito da época contabilizou 503, mas acredita-se que o número esteja por volta de 400. O cirurgião plástico Ivo Pitanguy, que participou do tratamento das vítimas, afirma num estudo que 70% eram crianças. Impressionou o jornalista o fato de ninguém ter sido indenizado.

 

Cartaz do Gran-Circo Americano e a elefanta em destaque


Para piorar, na época, os médicos estavam de greve, mas a comunidade médica e estudantes recém-formados de medicina da Universidade Federal Fluminense (UFF) correram para todos os hospitais de Niterói para ajudar os pacientes. A demanda era tão grande que médicos de outras cidades e países caminharam para a cidade. Na época teve que se construir um outro cemitério para colocar os mortos.

O cirurgião plástico Ivo Pitanguy, que tinha então 35 anos, recorda que, após circularem as primeiras notícias sobre o caso, pegou seu barco e atravessou a Baía de Guanabara. Ainda não existia a Ponte Rio-Niterói. Na sua autobiografia, ele diz que o tratamento das vítimas do Gran Circo foi a experiência que mais marcou sua vida. Com a tragédia, a cirurgia plástica se reafirmou no sentido social e não apenas por algo fútil.

Existem duas versões pela causa do incêndio, as chamas teriam sido provocadas por um ex-funcionário (que foi condenado), por vingança contra o dono do circo, o Danilo Stevanovich. Em Niterói, a explicação nem sempre é aceita. Alguns acreditam que foi um acidente e que o acusado foi feito de bode expiatório.

Desde 1999, a família chama o circo de Le Cirque e a estrutura é super diferente do Gran Circo Norte-Americano, além de seguir as normas do Corpo de Bombeiros.

João Goulart durante a visita às vitimas do Gran Circo Americano

Danilo Stevanovich era gaúcho de Cacequi, membro de uma família de sete irmãos que dominavam uma rede de circos na América Latina, como Argentina. Afora uma portuguesa, um japonês, um chinês e um casal francês, os demais artistas do Gran Circo Norte-Americano eram todos brasileiros do Sul. Faleceu em 2001. Uma curiosidade é que a trapezista Antonietta Stevanovich, irmã de Danilo, foi a primeira a dar o alerta dentro do circo.

Era o terceiro circo sob a administração dos irmãos Stevanovich que pegou fogo. Os outros dois, Bufalo-Bill e Shangri-lá, foram destruídos em 1951 e 52, respectivamente, na Avenida Presidente Vargas, no Rio de Janeiro. Entre as vítimas, no entanto, estavam apenas animais do circo. Estes, por sinal, não eram poucos. Com três elefantes, uma girafa, 12 leões, dois tigres, quatro ursos pardos, dois polares, um chimpanzé, um camelo, um antílope, um cavalo e alguns cães, o Gran Circo se gabava de ser um zoológico itinerante.

 

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