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Carta Manuscrita e Assinada do Dr. ANTONIO FERREIRA PAULA SOUZA Patrono da Engenharia Nacional, São Paulo, 7 de Fevereiro de 1881

Carta Manuscrita e Assinada do Dr. ANTONIO FERREIRA PAULA SOUZA Patrono da Engenharia Nacional

São Paulo, 7 de Fevereiro de 1881

Antônio Francisco de Paula Sousa (Itu, 6 de dezembro de 1843 — Rio de Janeiro, 1917) foi um engenheiro e político brasileiro.

Neto de Francisco de Paula Sousa e Melo, estudou em Zurique (Suíça) e em Karlsruhe (Alemanha). Em 1871 voltou definitivamente ao Brasil para dedicar-se ao desenvolvimento ferroviário brasileiro.

De ideologia republicana, participou da Convenção de Itu. Foi eleito deputado estadual em 1892, tendo sido presidente da Assembleia Legislativa e grande defensor do ensino público e incentivador da criação da Escola Politécnica de São Paulo, da qual foi o primeiro diretor. Foi Ministro dos Transportes do governo Floriano Peixoto, de 22 de abril a 8 de setembro de 1893.

Era filho de Antonio Francisco da Paula Sousa, ministro da Agricultura, e D. Maria Rafael da Paula Sousa. Casou-se com Ada Virginie Herwegh na Alemanha.

Sua grande contribuição em território nacional começa com a construção da Estrada de Ferro Ituano, que tinha o objetivo de ligar Itu à Piracicaba. Poucos anos depois, ele resolve ir à Paris fazer um curso de especialização em ferrovias e conhecer a chamada Exposição Universal, grande referência da época sobre o tema.

Após suas grandes especializações, em 1883, ele ocupa o cargo de engenheiro chefe da estrada de ferro, cargo que tinha como objetivo projetar a ferrovia para ligar Rio Claro a São Carlos. Com o fim da obra, ele volta à Itu onde fica no cargo de inspetor geral até a chegada da nossa república. Nesse posto, ele mantém seu viés anti-monarquista e, com esses ideais, acaba formando o Partido Republicano Paulista.

Entre os anos de 1892 e 1893, Paula Sousa exerceu vários mandatos públicos, como: presidente da Câmara Estadual de São Paulo, Ministro das Relações Exteriores e, por um pequeno período, Ministro da Agricultura.  Contudo, após várias discordâncias com Floriano Peixoto, abdica de seus cargos e dedica-se à formação da Escola Politécnica.

Enquanto se dedicou ao cargo de deputado estadual, ele conseguiu elaborar o projeto da sua escola que, no seu cerne, possuía o objetivo de trazer boas mentes ao Brasil e, assim, ser uma ferramenta de modernização ao país. O grande diferencial de sua escola, entretanto, seria o desafio de produzir uma tecnologia própria que faria do Brasil um país que não dependesse da mão de obra engenheira externa.

Contudo, ele enfrentou grandes dificuldades para consolidar esse sonho. Por ter sido criado na Alemanha, Paula Sousa possuía as características daquela escola. Seu opositor, o famoso escritor e engenheiro Euclides da Cunha, tinha um viés francês e eles tiveram duros debates sobre o assunto.

Após esses difíceis encontros, a nova Escola de Engenharia de São Paulo foi aprovada em 1893 e inaugurada no dia 15 de fevereiro de 1894, com 31 alunos e 28 ouvintes. A primeira sede foi o grande prédio da Mansão dos Três Rios, no Bom Retiro, onde a Politécnica ficou até 1924.

E o engenheiro passou a discursar sobre a importância dessa iniciativa no Brasil: “(…) E o que é mais importante, senhores, o habito do methodo, o cumprimento do dever, a previdência e a calma reflectida, o espírito de ordem, são qualidades inherentes, essenciais para que qualquer indústria possa vingar e prosperar; e nós nos acharíamos então em condições de evitar os dissabores, os desgostos e prejuízos que agora sofremos.” (Discurso inaugural da Escola Politécnica).

Em seu discurso, Paula Sousa falava do seu desejo de transformação nacional por meio das ciências e a necessidade da industrialização nacional frente ao seu atraso histórico em relação ao “mundo desenvolvido”.

Vale uma curiosidade sobre um dos cursos que o grande engenheiro ministrava, mais especificamente, o de Resistência dos Materiais e Grafoestática. Os seus alunos, por algum motivo, se revezavam em turnos de três para assistir suas aulas. O professor, nervoso por essa situação, decidiu descobrir o que acontecia. Ao ver que seus alunos estavam ajudando na construção da estrada de ferro entre os bairros da Lapa e do Ipiranga, ele ficou orgulhoso e os ajudou nessa empreitada.

O mestre era conhecido pelo seu ritmo de trabalho forte e constante. Não havia motivo para suspensão das aulas e, mesmo quando alguma figura ilustre falecia, aconteciam homenagens e os ensinamentos prosseguiam.

A Politécnica foi importante em vários momentos da nossa história ferroviária. Foi dessa escola que surgiram grandes estudos e análises topográficas da cidade, estudos da engenharia mecânica e um grande auxílio nos processos de urbanização e remodelação da cidade.

Mesmo sendo um grande defensor da industrialização do país, Sousa possuía a sabedoria de que isso seria de grande dificuldade para o país, graças a falta de conhecimento técnico que por aqui reinava.

Pensando em resolver esse problema, ele contratou professores estrangeiros que ficariam famosos por aqui, como: Roberto Mange (engenharia mecânica) e Felix Hegg (termodinâmica).

Durante quase duas décadas e meia, Paula Sousa foi o diretor da Escola Politécnica de São Paulo. Contudo, no dia 13 de abril de 1917, ele acabou falecendo enquanto preparava sua aula para o dia seguinte. O grande cortejo fúnebre partiu da Rua Aurora nº 79  e seguiu até o cemitério da Consolação, onde foi sepultado.

http://www.saopauloinfoco.com.br/escola-politecnica/

https://www.poli.usp.br/institucional/diretoria/galeria-de-diretores/prof-dr-antonio-francisco-de-paula-souza

https://pt.wikipedia.org/wiki/Ant%C3%B4nio_Francisco_de_Paula_Sousa

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